A preocupação com a auto-imagem e o à estética não são privilégios do ser humano, já que a necessidade de dispor de um padrão estético é condição de sobrevivência até para inúmeros seres irracionais.
Entretanto percebemos, com notável clareza, que na espécie humana esta preocupação estética parece ser uma herança genetica, que vem se incorporando ao seu comportamento de forma cada vez mais acentuada através dos tempos.
O sentimento de pertencer ao grupo social, possuindo traços e contornos corporais condizentes com os padrões existentes, tão necessários para o equilíbrio psíquico do indivíduo, faz da imagem corporal um elemento fundamental para a caracterização da saúde plena dos indivíduos.
Confirmando esse conceito, a simples observação do comportamento humano em qualquer período da história revela uma busca contínua da correção de características anatômicas inestéticas do contorno corporal, sejam eles herdadas ou adquiridas.
Constata-se ainda que a grande competitividade na sociedade contemporânea faz com que os indivíduos lidem com a auto estima, com sua estética e com a necessidade de bem consigo mesmo, como prioridades e elementos indispensáveis para o seu bem estar pessoal e sucesso profissional.
Contraditoriamente, apesar de almejada por todos , com maior ou menor intensidade, a saúde estética ou a valorização da auto-estima é por vezes associada a mera satisfação de um capricho ou futilidade . Grande engano! A vaidade, vista como futilidade, coisa sem importância ou sem valor é uma característica negativa do ser humano. Entretanto ela positiva quando expressa a vontade de uma pessoa de estar bem e agradar a si mesma e a seus semelhantes. A busca do contorno corporal harmônico, bem como o cuidado com a higiene do corpo, o bom estado dos anexos da pele (cabelo e unhas), os cuidados com as vestes , os ornamentos e a cosmética devem ser vistos como uma vaidade positiva, que leva a harmonia da pessoa consigo, com a sociedade e com a natureza . Destacamos que a Organização Mundial de Saúde estabelece como conceito de saúde , universalmente aceito, o completo bem estar físico, mental e social do ser humano.
Por tudo isso nada mais coerente que a Medicina e os médicos assumam sua responsabilidade com a saúde estética, sob o manto científico, ético e legal que devem nortear seu exercício.
A prática da Medicina em prol da saúde estética do indivíduo envolve o saber médico multidisciplinar exclusivo do profissional médico.
Na realidade a prática da Medicina Estética requer a verticalização do conhecimento médico e o conseqüente estudo e desenvolvimento da ciência para a aplicação de um conjunto de atos, procedimentos médicos, orientações e atenção psicológica, hábitos de vida e alimentares, estudos e conhecimentos farmacológicos de produtos equipamentos e materiais além de recursos tecnológicos destinados a prevenir, identificar e corrigir ou alterar conformações anatômicas e inestetismos decorrentes de patologias orgânicas congênitas ou adquiridas, acidentes, iatrogenias ou do próprio envelhecimento natural que afetam as relações biopsicosociais dos indivíduos.
A Medicina Estética realiza um programa de Medicina Social, preventiva, curativa e reabilita o indivíduo para a sua reintegração social, familiar e ao trabalho, tendo com objetivo principal a construção ou a reconstrução do equilíbrio psicofísico do ser humano.
Os procedimentos aplicados na Medicina Estética são considerados atos médicos que requerem uma abordagem do paciente de forma abrangente, que pressupõe uma anamnese especial, exame físico e formulação de diagnóstico clínico e diferencial, indicação e realização de tratamento clínico e/ou cirúrgico, mediante análise de eventuais contra-indicações relativas ou absolutas, formulação de prognóstico, orientações individuais e gerais quanto à prevenção de doenças, alteração de função de órgãos ou agravos à saúde relacionados com fatores geradores de inestetismo.
Os pontos essenciais do seu campo de ação são:
O tratamento das alterações físicas, estéticas e constitucionais;
Os tratamentos das seqüelas inestéticas das doenças e dos traumatismos;
A postergação do envelhecimento e principalmente das suas formas de exteriorização e de suas repercussões físicas e psicológicas;
A reeducação perante no sentido de proporcionar ao indivíduo a possibilidade de preservar o seu patrimônio biológico, através do desenvolvimento de programas de higiene mental, física e alimentar.